Empatia: A armadilha conceitual que vivi

25/10/2018 | 0 Comentários

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Paula Tissot

Coach & Mentora - Formada em Neurociências Aplicadas ao Comportamento Empreendedor, Comunicação e Liderança.

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Quero compartilhar minha experiência de como me colocar no lugar do outro me afastou temporariamente da capacidade de praticar empatia.

Por muito tempo eu convivi com o conceito “para ser empático é preciso se colocar no lugar do outro”, e tomei este conceito como verdade absoluta. Logo, tentava frequentemente colocá-lo em prática, mas algo me chamava atenção: essa prática – ao menos comigo – não dava tãão certo assim.

Graças a Deus sou uma pessoa abençoada com muitos amigos, então eu vivi MUITAS vezes ocasiões onde pessoas compartilhavam comigo situações delicadas, onde estavam expostas ao medo, à vergonha, à falta de senso de merecimento, à culpa, à tristeza, à raiva. Na tentativa de ser empática, por muitas vezes usei frases como:

  • “Nada a ver essa insegurança sobre sua capacidade, você é um super profissional”;
  • “Não seja boba, você é uma ótima mãe”;
  • “Você não precisa ter medo, é óbvio que vai dar conta do desafio”;
  • “Não tem porque ficar triste, isso vai passar”;
  • “Não se sinta culpado, você não fez por mal”.

Além das frases acima (é óbvio pra quem me conhece), na sequência eu soltava alguma palhaçada e emendava o famoso “vamos em frente”! Isso ajudava? Acredito que sim, mas momentânea e superficialmente.

Ao me colocar no lugar do outro, eu percebia muitas vezes que eu pensava diferente sobre aquela situação, que se fosse comigo eu sentiria diferente, agiria diferente. Quando isso ocorria,  minha ação automática era negar a perspectiva e o sentimento do outro e fazer uma graça pra descontrair. E isso não era exatamente empatia…

Quando acessei pela primeira vez o conceito da Brené Brown ao falar de empatia, foi um momento mágico. Naquele instante pra mim tudo fez sentido! (Indico o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Ay846oJ8tfY)

Empatia é sobre vulnerabilidade, é conectar-se com  algo em você que te permita se conectar com o sentimento do outro. Empatia é sentir com o outro. No vídeo Brené compartilha o que pra mim foi “o pulo do gato”: o resultado do estudo de Theresa Weiseman,  que quando estudante de enfermagem, levantou 4 qualidades da empatia:

1. Tomada de Perspectiva;

2. Ausência de Julgamento;

3. Reconhecer as Emoções;

4. Comunicar com as emoções identificadas.

Quando passei a exercitar estas 4 qualidades: receber as informações e entender a perspectiva da pessoa que estava compartilhando uma situação delicada para ela (1), entender que independente da minha visão ou opinião, para ela aquilo era difícil (2), junto com ela identificar o que ela estava sentindo (3) e então me conectar com minha memória emotiva de alguma situação que eu já vivi e me fez passar por aquele mesmo sentimento (4), vi então que eu estava pronta para verdadeiramente me conectar.

Isso me permitiu aprender a ter conversas difíceis e me ensinou a importância legitimar a perspectiva e o sentimento do outro (o que é essencial para se conectar verdadeiramente  com as pessoas).

Como Coach, este aprendizado me permitiu propor um processo de legitimar a perspectiva do outro, convidar a pessoa a olhar para a experiência, reconhecer e compreender seus sentimentos e pensamentos, para então analisar  a situação desafiadora de uma forma mais clara e “descontaminada”, e por fim poder criar opções para lidar com o desafio.

Este processo ajuda na caminhada de uma forma impressionante!

Legitimar a perspectiva e os sentimentos do outro sem julgar, é uma escolha que requer desapego das nossas verdades absolutas e opiniões formadas. Sentir com o outro é uma escolha que demanda energia e vulnerabilidade, mas é uma das coisas mais bonitas e  humanas que a gente pode escolher fazer por alguém.

Desejo que minha experiência possa te trazer reflexões, e que você possa fazer a escolha de exercitar a empatia com toda humanidade que há em você 🙂

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